Short Version?

Ex-viciada em fast-fashion, céptica em relação a tudo o que cheire sequer a teorias da conspiração e golpes de Marketing. Reviradora de olhos profissional durante documentários sobre o ambiente e a sociedade.

A tentar viver uma vida sem lixo,
sem desperdício, com a mínima pegada ecológica possível. A falhar todos
os dias, mas a aprender a falhar
cada vez menos e melhor.

Preferem a versão longa?

Em que percebem como chegámos até aqui? Ora então leiam abaixo…

Quando conheci o meu marido, era viciada em fast-fashion. Ele sempre foi mais sensato do que eu e achava inédito alguém que ele até considerava inteligente (leia-se, eu própria), que percebia perfeitamente o impacto do fast-fashion na nossa sociedade, perder a racionalidade por tecidos cortados em jeito de tendência e colecionar vestidos que “sim, são da mesma cor, mas são TÃO diferentes”. É que, de resto, sempre fui uma pessoa sensata e moderadamente ponderada, muito consciente de que a sociedade é construída por todos e que a norma é feita das nossas rotinas e crenças.

Há uns bons 8 anos, estava eu ainda na faculdade, quando a minha melhor amiga, que era (e é) vegetariana, me disse que eu TINHA de ver o Cowspiracy. Dois factos a saber: o primeiro é que a Maria (a melhor amiga), antes de ser vegetariana, comia duas coisas na vida: pizza de peperoni e bife com batatas fritas. A segunda é que, embora sempre tenha respeitado a decisão da Maria, sempre fui daquelas pessoas que é zero impactada por documentários, porque estou demasiado preocupada a encontrar falhas nos mesmos: coerências, matemáticas erradas, fontes inexistentes… Portanto, quando a Maria me disse que tinha MESMO de ver o Cowspiracy, respirei fundo e pensei que gostava demasiado da Maria para lhe dizer que não. Então vi. Vi, acabei de ver e comecei LOGO à procura de erros. Encontrei alguns, não vou mentir. E encontrei muitas diferenças em relação ao cenário que vivemos em Portugal, também tenho de admitir. Mas depois de analisar tudo ao detalhe e de colocar o Sherlok Holmes que há em mim à procura de motivos para não ligar ao documentário, as emoções apoderaram-se de mim e não conseguia parar de chorar

Quão ignorante poderia, afinal, ser esta miúda que sempre adorou estudar, que nasceu justiceira e que se orgulhava de querer fazer ouvir a sua voz na sociedade? Nesse dia, liguei à Maria e, se bem me recordo, entre montes de lágrimas, lá chegámos as duas à conclusão que eu iria mudar de alimentação. Não iria ser da noite para o dia, mas queria começar a pensar no que estava a fazer ao ambiente quando fazia algo que parecia tão fácil e básico para um ser humano… comer! Percebi que a maneira como comemos também é uma afirmação política e diz alguma coisa sobre nós. Levei o tema tão a sério que, por uns meses, criei com a Maria uma página de Instagram em que partilhávamos as nossas refeições vegetarianas (sim, eu que não sei cozinhar…). Foi a minha maneira de me obrigar a seguir aquilo que eu sabia estar certo: anunciá-lo ao mundo (é que sempre tive blogues e sempre achei que eram a melhor maneira de me comprometer com as minhas decisões, porque odeio falhar, mas odeio ainda mais falhar publicamente – assunto para falar no futuro com um psicólogo, eu sei).

Vamos avançar uns anos no tempo, para perceber, afinal, como viemos aqui parar?

Um dia, quando ainda nem éramos namorados, o João quis levar-me a uma conferência de uma tal Bea Johnson sobre “Zero Waste”. Eu, zero familiarizada com o conceito (pun intended), saí da conferência com um misto de emoções: por um lado, revirei os olhos provavelmente a cada 10 segundos da conferência, porque parecia que tudo ali era levado ao extremo. Por outro, percebi o quão pouco eu fazia pelo planeta no qual tão veementemente me expressava em termos de política, religião e justiça em jantares de amigos.

Podia dizer que essa conferência foi o meu ah-ha moment. Não foi. Saí de lá um bocadinho frustrada comigo própria e com o orgulho ferido, para ser sincera. Iria demorar a perceber que o meu futuro passaria por fazer muitas das mudanças que, na altura, considerei drásticas (I mean, a Bea Johnson passou por uma fase em que usava folhas em vez de papel higiénico… e aqui estou eu, 3 anos depois a ser a maior apologista do bidé e dos paninhos feitos com restos de tecidos na hora de ir à casa de banho).

Mas houve algum ah-ha moment? Sim, houve. Eu e o João tínhamos casado há uns meses e começámos a perceber que, de cada vez que íamos ao supermercado, enchíamos o lixo com embalagens. Era invariável. Certo dia, estávamos nós no Algarve a passar férias com a família e dei por mim a ler um artigo sobre a Maria Granel numa revista (não me lembro qual é e não consegui ainda voltar a encontrar). Deu-me um clique: porque não tentar reduzir as embalagens de utilização única, pelo menos nas compras do supermercado, já que existem alternativas tão perto de onde vivemos e trabalhamos? Chegámos a Lisboa, depois das férias, super focados em encontrar alternativas sustentáveis para o nosso estilo de vida. E foi assim que tudo começou, a pensar que tínhamos uma nova oportunidade enquanto família e indivíduos. Que o nosso casamento e a mudança para uma nova casa nos deram a oportunidade de… começar do Zero. Pensar exatamente no impacto que gostaríamos de ter no mundo, na vida que queríamos ter e… começar a vivê-la!

Deste espaço podem esperar duas coisas: muita informação e zero julgamentos de valor. Cada um terá de fazer as mudanças que fizerem sentido para si. Se de tudo o que eu fizer em casa, conseguirem aplicar apenas uma ao vosso estilo de vida, então parabéns por estarem dispostos a aplicar essa. Celebramos todas as vitórias em direção a um futuro mais sustentável. E sabemos que, para toda uma ação, há uma reação (terceira lei de Newton) e que tudo o que fizermos terá uma consequência. Estamos cientes disso, mas avançamos na mesma, vale malta?

Usemos a nossa oportunidade diária
de começar do Zero.