02/08/2019

Papel higiénico

Usamos todos os dias, (quase) sem pensar. Mas o que é que este produto tão indispensável implica em termos ambientais? Que alternativas existem e qual o seu impacto? Debrucemo-nos sobre este assunto e aprendamos a escolher a melhor opção possível, igualmente eficaz e higiénica, mas com a menor pegada ecológica possível.

Utilização

Em Portugal, estima-se que o consumo médio anual por pessoa de papel higiénico seja de 7.4Kg em 2019 (1).

Se considerarmos que cada rolo tem cerca de 54gr (pesei em casa, um rolo de folha dupla de marca branca), 7.4Kg são cerca de 137 Rolos de papel higiénico por cada consumidor português, por ano. Ou seja, cerca de 2 rolos e meio por semana (arredondando “por baixo”) ou um pouco mais de um terço de rolo de papel higiénico por dia.

Este valor tem vindo a aumentar gradualmente (o ano passado foi de 7.3Kg), o que significa que estamos a aumentar o consumo deste produto (ou, simplesmente, a consumir papel higiénico mais “pesado” – de folha dupla, tripla ou mesmo quádrupla).

Matéria prima e água

Segundo a World Wildlife Foundation, por cada tonelada de papel higiénico produzida são necessárias 1.75 toneladas de fibra virgem (2). Para além disto, segundo Bill Worrel, diretor da Autoridade de Gestão de Resíduos de San Luis Obispo na Califórnia, a produção de cada rolo de papel higiénico requere um consumo médio de 140 litros de água (3) – interessante perceber que a maioria de vocês não tinha ideia deste impacto, como percebi pelo quizz do Instagram que vos coloquei esta semana e que podem ver na imagem acima.

Se voltarmos ao início do post, aos dois rolos e meio de papel por semana que cada português gasta, em média, percebemos que, numa semana, estamos a falar num consumo individual de 350 litros de água (só num produto descartável para… limpar xixis e cocós).

Impacto nas florestas

Ouvimos muitas vezes dizer que as “florestas são os pulmões da Terra”, já que há milhões de anos têm vindo a regular os gases que provocam o chamado “efeito de estufa”, absorvendo Dióxido de Carbono e convertendo-o em Oxigénio. A cada ano, as florestas mundiais absorvem cerca de um quarto de todos os gases de efeito de estufa produzidos pela humanidade (4). Aliás, quando em 2015, aquando do Acordo de Paris, 190 países concordaram em manter o aumento da temperatura global abaixo dos 2º Celcius (tentando mesmo limitar o aumento a 1.5º Celcius), foi identificado no próprio acordo que as florestas seriam ferramentas vitais para atingir estes objetivos.

Ora, se pensarmos que o papel higiénico é… bem, papel! E que o papel vem das árvores… estamos necessariamente a sugerir que, para fazer papel higiénico é necessário abater árvores. Sim, é verdade para grande parte dos papéis higiénicos, mas não para todas. Na realidade, a polpa de papel (utilizada para fazer papel higiénico), vem de várias fontes, como a madeira (ou fibra virgem, uma vez que nunca foi utilizada noutro produto), conteúdo reciclado pós-consumo, conteúdo reciclado pré-consumo e fibras alternativas como palha de trigo ou bambu.

Branqueamento do papel

Para fazer polpa de papel utilizando fibra virgem (processo mais comum), um moinho transforma os pedaços de madeira, através de um processo químico que utiliza intensivamente água e energia, removendo
lignina e outros adesivos naturais das fibras da madeira, conhecidos como celulose. Quando a celulose é separada dos restantes componentes, é enviada para um processo de branqueamento químico que torna a polpa branca (5).

A escolha do processo de branqueamento também tem impacto no ambiente. A lixívia é utilizada para clarear, fortalecer e suavizar os tecidos de papel (como guardanapos, rolos de cozinha, lenços descartáveis e papel higiénico) (6). Desde os anos 90, depois de se perceber os efeitos nocivos da utilização de cloro elementar na composição das lixívias para branqueamento do papel (7), os produtores de tecido de papel fizeram a transição para processos livres de cloro elementar, tendo-se tornado esta a norma na produção de papel higiénico. No entanto, os métodos actuais, embora emitam menos dioxinas que as lixívias que continham cloro elementar, continuam a libertar gás de cloro elementar (um sub-produto) no ar e na água, impactando pessoas, peixes e outros animais (8).

Soluções

Usar bidé (e toalha) – ou “paninhos”!

A melhor maneira de reduzir o impacto da indústria do tecido de papel nas florestas é… deixar de consumir produtos desta indústria! Se voltássemos aos panos reutilizáveis para a cozinha, guardanapos e toalhas de bidé (sendo que o bidé é ainda recomendado por muitos especialistas em saúde íntima por todo o mundo), abrandaríamos seguramente a degradação das florestas (4). Para além disto, usar um bidet (com água), na realidade… poupa água quando comparado com o consumo de água implicado na produção de um rolo de papel higiénico! No início do post explicámos que o consumo de 2.5 rolos de papel higiénico por semana por pessoa (em Portugal) significam um consumo de água de 350 litros (e aqui estamos só a contar com a produção do papel, nem estamos a pensar no autoclismo, que teremos sempre de continuar a descarregar. Ora, um bidet implica a utilização de cerca de 250ml de água por utilização (eu uso bidé e… estive a ver quanto usava!). Para sequer chegar ao mesmo consumo de 350 litros precisaríamos de ir 1400 vezes à casa de banho por semana (200 vezes por dia… nem as grávidas, malta!). Assumindo 5 idas à casa de banho por dia (35 por semana), estamos a falar de 7 litros de água por semana. Bem diferente dos 350 do papel higiénico, certo?

Ah, mas e depois como te limpas? Vais a pingar água?

Nop, uso um produto super prático que todos temos em casa… uma toalha! Desde que sou gente que tenho toalha de bidé. Em casa dos meus pais, todas as semanas iam para lavar as toalhas todas: banho, rosto e bidé. Portanto nem podem dizer “sim, mas a lavagem da toalha consome imensos litros de água). Não, não consome. Uma máquina de categoria A+++ gasta menos de 50 litros de água num ciclo. Uma toalha de bidé ocupa espaço quase nenhum nessa máquina. Se for responsável por meio litro da lavagem, é muito. É só fazer as contas malta 🙂 Neste caso não é nada ambíguo, ao contrário do assunto das fraldas. É MUITO melhor para o ambiente utilizar o bidé do que papel higiénico.

Também podem usar paninhos (trapos velhos) para cada ida à casa de banho (um diferente para cada vez) e ir colocando num cesto para depois irem todos para lavar, mas aconselho sempre a utilizar o bidé, por questões de higiene, pelo menos quando o assunto forem cocós. Ainda assim, sinto-me sempre melhor com água do que com panos. Só tenho os paninhos para quando estou com preguiça e não me apetece ir fazer xixi e ligar a torneira (no Inverno, se estiver frio e a água fria, pode ser menos agradável). #realtalks por aqui.

Ah, mas não tenho espaço para um bidé!

Achavam que se desculpavam com esta, não é? NEM PENSEM! Primeiro, porque a maioria das pessoas em Portugal tem bidé (fiz um quizz nos stories do Instagram e, pelo menos da “minha” comunidade, há muitas pessoas com bidé, que não o usam (ver imagem acima). Se não têm espaço para bidé (eu, por exemplo, não tenho), têm duas opções óptimas, que requerem ZERO obras e instalações elétricas e de canalização:

  1. Chuveirinho. Podem colocar na parede se fizerem obras ou ligar diretamente ao sítio da descargas da sanita. Há opções a partir de 20 Euros na Amazon.
  2. Assentos para a sanita com bidé incorporado. Vejam o site da Tushy para perceberem como funciona. É SUPER prático.

Pois, Catarina, mas fora de casa tens mesmo de usar papel!

Again, não se safam assim tão facilmente. Cada um faz o que quiser, mas que existem alternativas… existem! Duas opções:

  1. Paninhos que guardam num saquinho plastificado (quem usa pensos menstruais, fraldas reutilizáveis e afins já está habituado a isto). Usam, guardam no saquinho, chegam a casa e põem o paninho e o saco para lavar.
  2. Um bidé portátil! Vejam este modelo da Tushy (um bocado primitivo… pode ser substituído por uma garrafa de água quase) e este incrível chamado Sonny, que requer bateria mas que me parece fazer mais sentido porque tem, efetivamente, pressão suficiente para lavar. É carote, mas fiquei fã.

Gostava de vos convencer mesmo a deixar o papel higiénico e a adotar o bidé. No entanto, sei que muitas pessoas não ponderam sequer essa possibilidade e isso não significa que não haja nada “melhor” que possam fazer do que comprar o papel higiénico “normal”, feito de 100% fibra virgem e aclarado com lixívia. Há sim! Vejamos:

Comprar papel higiénico de fibras recicladas.

Uma vez que já compreendemos a importância das florestas para absorver e converter Dióxido de Carbono, é fácil entender que os produtos feitos com fibra virgem (de madeira) têm uma pegada de carbono muito superior aos que são feitos com outros materiais. Na realidade, produzir produtos (papel higiénico) que utilizem 100% de fibra virgem gera três vezes mais emissões de carbono do que produtos feitos com outros tipos de fibra/polpa (4). Para além disto, os produtos de papel reciclado utilizam menos métodos de branqueamento – os métodos processados sem cloro.

Utilizar matéria prima derivada de conteúdo reciclado pós-consumo também gera uma pegada ecológica significativamente inferior, quando comparada com a fibra virgem, uma vez que não é necessário colher a madeira das florestas para as transformar em polpa (9). No entanto, é importante perceber que nem todo o conteúdo “reciclado” é igual. Quando um papel higiénico é feito de material reciclado, geralmente contém uma mistura de material reciclado pós-consumo e material reciclado pré-consumo (7). É importante perceber a diferença entre ambos, uma vez que o material reciclado pré-consumo se trata simplesmente de desperdício gerado na própria indústria, polpa feita com restos de madeira da produção ou de produtos pré-produzidos que se tornaram obsoletos e não foram sequer para o mercado (4).

Um aspecto importante do papel higiénico reciclado é a segurança. Dado que será utilizado, à partida, em zonas sensíveis, convém ter a certeza que não haverá perigo para a saúde na utilização do mesmo. De facto, há alguns estudos que apontam para o seu potencial perigo. Deixo-vos um (14) onde foram encontradas 51 substâncias identificadas como potencialmente críticas (óleos minerais selecionados, ftalatos, fenóis, parabenos e outros grupos de químicos) no papel reciclado. Este estudo aponta também para o problema da falta de transparência na indústria, no que diz respeito aos químicos utilizados na indústria da impressão, de onde provém muito papel para reciclar e utilizar depois em produtos de papel reciclado (14).

Imagem de: TUSHY

Comprar papel higiénico de fibras de palha de trigo ou bambu.

A polpa de tecido de papel pode ser feita de fibras que não as da madeira. Estas fibras alternativas, como a de palha de trigo ou de bambu, podem ser substitutos mais sustentáveis para os papéis de fibra virgem de madeira, desde que a sua origem seja tida em atenção (4). As fibras de palha de trigo podem ser particularmente interessantes, uma vez que se tratam de resíduos “deixados para trás” depois das colheitas de trigo e que iriam ser desperdiçados. Assim, criar fibras desde subproduto das práticas agrícolas, não implica expandir a utilização dos solos e pode reduzir as pressões nas florestas que fornecem fibra virgem (10). Para além disto, dado que a maioria dos subprodutos agrícolas são, muitas vezes, queimados, utilizar estes resíduos agrícolas pode ser benéfico porque impede a libertação de emissões de dióxido de carbono durante a queima (11).

Relativamente às fibras de bambu, também emite uma fração do impacto climático das fibras virgens, mas não deixa de ser uma “plantação” intencional, em vez de resíduos agrícolas, tendo mais impacto nos solos do que a fibra de palha de trigo. Ainda assim, a plantação de bambu requer menos degradação de solo do que a fibra virgem e cresce 20 vezes mais rapidamente do que as árvores das florestas boreais, das quais se extrai a maioria da polpa virgem (15). Estima-se que panos de papel feitos de bambu emitam menos 30% de gases de efeito de estufa do que panos de papel feitos de fibra virgem (7). No entanto, há que ter atenção à produção das fibras de bambu, já que a produção destas fibras alternativas muitas vezes carece de monitorização eficaz e as florestas de bambu são, muitas vezes, cultivadas em zonas previamente desflorestadas (16). Assim, para garantir que a fibra de bambu provém de florestas de origem sustentável, é necessário procurar o selo do Forest Stewardship Council (FSC ®), do qual voltaremos a falar abaixo.

Uma das marcas de que mais “gosto” no que diz respeito ao papel higiénico é a Who Gives a Crap. Oferece papel higiénico 100% feito a partir de fibra de bambu, tem um marketing genial e apoiam a construção de sanitas em zonas do globo sub-desenvolvidas. Infelizmente, ainda não se vende em Portugal, mas mantenham a marca debaixo de olho!

Também a Tushy, marca de um dos adaptadores de bidé de que vos falei no início, tem o seu próprio papel feito de fibra de bambu. No entanto, também têm de mandar vir de fora de Portugal… A manter debaixo de olho também!

De resto, no mercado português, ainda não encontrei alternativas feitas de fibra de palha de trigo ou de bambu, mas vou estar atenta e publico aqui quando encontrar.

A origem importa, tanto pela proximidade, como pelos processos de extração! Atenção às certificações FSC.

Uma das empresas que contactei para escrever este artigo foi a “nossa” Renova. Sabendo que existe um impacto enorme nas emissões de CO2e do transporte de tudo o que consumimos, comprar produtos produzidos localmente já é um excelente primeiro passo na nossa pegada ambiental. Além disso, pelas gamas “eco” que lançou, tudo faria crer que estão interessados no tema do impacto ambiental. Quando contactei a Renova, quis saber quais os consumos de água, energia e matéria prima (de que zonas do mundo vem a polpa de madeira) nas gamas da RenovaGreen e Renova embalado em papel. Queria perceber até que ponto estas alternativas seriam, em termos de produção, melhores para o ambiente ou apenas “mais um golpe de marketing”. Foi-me dito que, infelizmente, a informação a que pedia acesso era confidencial. Fiquei com pena, porque queria mesmo perceber se valeria a pena o investimento nestas gamas (dado que são bastante mais caras). Se, entretanto, num futuro próximo, estiverem dispostos a ser mais transparentes relativamente a este assunto, farei um update ao artigo para vos passar essa informação mas, para já, apenas vos posso avançar com a seguinte informação: é uma marca Nacional que produz o papel em Portugal. A Renova afirma reduzir água e energia na produção (12), mas uma vez que não explicitam a redução, não consigo “confiar” plenamente nesta informação. Serão consumos melhores do que os da concorrência ou apenas melhores do que faziam no passado? Ficamos sem saber. Também afirmam que, na gama RenovaGreen, tanto o papel como a embalagem, 100% feitos com material reciclado, são fabricados preferencialmente em unidades localizadas num raio de 400 quilómetros (12). Mais uma vez, o “preferencialmente” não me deixa muito descansada. Serão 10% produzidos em unidades geograficamente próximas? 50%? Também ficamos sem saber. O que sabemos com 100% de certeza é que, ao comprar uma marca produzida em Portugal não estaremos a emitir o mesmo CO2 no transporte do que se comprássemos o mesmo papel, mas produzido nos Estados Unidos, por exemplo.

Relativamente à gama embalada em papel, que tanto buzz gerou nos media (e que também é a que uso em casa), tem a (grande) vantagem de ter Certificação FSC ®. Esta certificação é garantida por uma entidade internacional e é uma das entidades de certificação de respeito florestal mais conceituadas e credíveis, assegurando “que os produtos provêm de florestas bem geridas que oferecem benefícios ambientais, sociais e económicos” (13). Sempre que puderem, se forem comprar papel higiénico sem nenhuma percentagem de produto reciclado, tenham, pelo menos, em atenção a escolha de produtos com certificação FSC ®.

Referências

1 – Statista. (2019). Toilet Paper – Portugal | Statista Market Forecast. [online] Available at: https://www.statista.com/outlook/80010000/147/toilet-paper/portugal#market-volumePerCapita [Accessed 1 Aug. 2019]

2 – World Wildlife Fund. (2019). Price of Toilet Paper for the Planet | Magazine Articles | WWF. [online] Available at: https://www.worldwildlife.org/magazine/issues/spring-2015/articles/price-of-toilet-paper-for-the-planet [Accessed 30 Jul. 2019].

3 – Noelle, R. (2010). Flushing Forests. World Watch Magazine, 23(3).

4 – Natural Resources Defense Council (2019). THE ISSUE WITH TISSUE: HOW AMERICANS ARE FLUSHING FORESTS DOWN THE TOILET. [online] Stand.earth. Available at: https://www.nrdc.org/sites/default/files/issue-tissue-how-americans-are-flushing-forests-down-toilet-report.pdf [Accessed 29 Jul. 2019].

5 – United Nations Framework Convention on Climate Change, Paris Agreement, Article 2, 2015, https://unfccc.int/files/meetings/paris_nov_2015/application/pdf/paris_agreement_english_.pdf.

6 – Thornton, J. (2000). Pandora’s poison. Cambridge, Mass: MIT.

7 – Environmental Paper Network, “What’s in Your Paper?” Environmental Protection Agency, “Learn About Dioxin,” https://www.epa.gov/dioxin/learn-about-dioxin

8 – Mandy Haggith et al., The State of the Global Paper Industry 2018. Marcella Fernandes de Souza et al., “Chlorine-Free Biomass Processing: Enzymatic Alternatives for Bleaching and Hydrolysis of Lignocellulosic Materials,” in Chemistry Beyond Chlorine (P. Tundo et al., eds., Switzerland: Springer International Publishing), 2016, p. 246

9 – Tobias Schultz and Aditi Suresh, Life Cycle Impact Assessment Methodology for Environmental Paper Network Paper Calculator v4.0, SCS Global Services, 2018, p. 51, https://c.environmentalpaper.org/pdf/SCS-EPN-PC-Methods.pdf.

10 – Canopy, “Second Harvest Pulp and Paper Project.” Valerie M. Thomas et al., Assessment of Alternative Fibers for Pulp Production.

11 – Canopy, “Second Harvest: Fields of Fabric,” https://canopyplanet.org/solutions/alternative-fibers-for-clothing/fields-of-fabric/ (accessed January 8, 2019)

12 – O Mirante. (2019). Fábrica da Renova produz papel ecológico. [online] Available at: https://omirante.pt/semanario/2007-07-26/economia/2007-07-25-fabrica-da-renova-produz-papel-ecologico [Accessed 2 Aug. 2019].

13 – FSC Portugal (2019). Certificação FSC. [online] FSC Portugal. Available at: https://pt.fsc.org/pt-pt/certificao [Accessed 2 Aug. 2019].

14 – Pivnenko, K., Eriksson, E. and Astrup, T. (2015). Waste paper for recycling: Overview and identification of potentially critical substances. Waste Management, 45, pp.134-142

15 – Kathleen Buckingham, “Bamboo: The Secret Weapon in Forest and Landscape Restoration?” World Resources Institute, February 28, 2014, https://www.wri.org/ blog /2014/02/bamboo-secret-weapon-forest-and-landscape-restoration.

16 – Thomas, V. and Liu, W. (2013). Assessment of Alternative Fibers for Pulp Production. Georgia Institute of Technology.

Conclusões

Nada como o bidé… A segunda melhor escolha seria papel de fibra de bambu, certificada pela FSC. Se a questão dos eventuais perigos do papel reciclado não vos assustar, diria que é a terceira melhor escolha. Por último, se nenhuma das escolhas acima vos parecer adequada, diria para escolher, pelo menos, papel higiénico “normal”, mas certificado pela FSC.

Terminado o artigo, contem-me de vossa justiça! O que pensam fazer? Que dúvidas ainda têm sobre este assunto?

PS: Gostaram do artigo ou foi-vos útil de alguma maneira? Se quiserem e fizer sentido, deixo AQUI um link onde me podem oferecer um café (ou chá, que eu sou mais de chás quentinhos), para me acompanhar nas próximas horas de investigação a preparar os artigos que encontram aqui no site.

Também me podem encontrar pelo Patreon, onde há vários níveis de envolvimento que podem ter, a partir de 1$ por mês.

19 comentários em "Papel higiénico"

  • Marta Pereira
    02/08/2019 ás 21:32

    Acho que o artigo foi muito pertinente e útil. Obrigada pela advertência, vou passar a palavra 😊

    Responder
    • 02/08/2019 ás 22:49

      Muito obrigada Marta 🙂 Que bom saber que vai passar a palavra! Acredito muito no poder de mudarmos o m2 à nossa volta. Dizemos a uma pessoa, essa pessoa diz a mais uma e, quando dermos por nós, já estamos todos de volta ao bidé 😀
      Beijinho!

      Responder
  • Lara C.
    02/08/2019 ás 22:10

    Mais um artigo excelente Catarina!!. Obrigado ☺ tanta água para fazer um só rolo, dá mesmo que pensar.

    Responder
    • 02/08/2019 ás 22:50

      Também não estava à espera destes valores, confesso 🙁 Mas assim tenho a garantia de que vou mesmo largar de todo o papel higiénico e passar a adotar o bidé em exclusivo! 🙂 Não há-de ser sempre simples, mas vou fazer um esforço. É como diz, demasiada água para um só rolo!

      Responder
  • Mariana MP Botton
    03/08/2019 ás 09:46

    Não fazia ideia destes valores. Fico chocada! Obrigada Catarina por todo o trabalho que tens tido. Que venham mais artigos destes, a malta tem de andar bem informada.

    Responder
    • 05/08/2019 ás 12:42

      Fico feliz por ter ajudado a passar informação sobre este tema! Também eu fiquei chocada, confesso. Ao início até pensei que deveria ser como o tema das fraldas, em que não é assim tão óbvia a diferença. Mas quando fui investigar… só pensava “COMO é que esta informação não é mais divulgada?? Acho que se toda a gente soubesse do impacto do papel higiénico/rolos de cozinha/guardanapos de papel/lenços de assoar, haveria muito mais pessoas a procurar alternativas 🙂

      Responder
  • Onelia
    03/08/2019 ás 16:07

    Wow! Pesquisa extremamente útil e esclarecedora pois ignorava completamente o impacto ambiental do uso de um rolo de papel higienico. OMG! Também uso o bidé mas após o papel higienico e tenho a consciencia que quando não há bidé, por ex.fora de casa gasto 2 ou 3 x mais papel. Fui ensinada desde pequena a usar o bidé como complemento de higiene e também ensinei as minhas filhas a usar. O que não compreendo é a tendência actual, talvez a Catarina que é arquitecta saiba explicar, de não colocar bidés nos apartamentos mes.o de segmento médio alto. Quando comprei o meu, fiquei surpreendida por não estar previsto bidé numa suite, com casa de banho enorme. Por aorte estava em fase de construção e mandámos colocar. Recentenente tenho visto construçoes novas em que também não existe e quando questionados referem que está fora de moda!!!! Também fiquei com pena que a Renova tivesse ocultado os dados. Teve uma grande oportunidade de fazer um brilharete e não aproveitou. Também sou como a Catarina que desconfio de tudo o que não é evidente ou transparente. Faz-me uma certa confusão usar os paninhos, parece-me que estamos a voltar ao século passado, costumo comprar papel reciclado no Jumbo e usar o bidé. Mas agora ja vou estar mais atenta às compras e passar a palavra. Obrigada Catarina.

    Responder
    • 05/08/2019 ás 12:41

      Olá Onelia 🙂 Muito obrigada pelo feedback!
      Pois, de facto muitas casas novas não vêm com bidé. Está a cair em desuso e acaba por ser espaço morto que não estaria a ser bem aproveitado (e com o m2 tão caro como o que temos neste momento… todos os espacinhos contam!). Nos também optámos por colocar na nossa, que também não tinha. Mas tivemos de colocar torneirinha porque a nossa casa é mesmo muito pequena.Funciona lindamente 🙂
      Também tenho pena que a Renova não tenha respondido… era, de facto, uma excelente oportunidade de fazer boa figura e, ao invés, acabei por ficar com dúvidas acerca dos esforços que fazem em prol da sustentabilidade…
      Mas se entretanto derem novidades, faço update!

      Beijinho e obrigada mais uma vez 🙂

      Responder
  • Margarida
    03/08/2019 ás 20:56

    Olá Catarina! Excelente artigo! Obrigada! Fiquei também chocada com a quantidade de água necessária para produzir APENAS UM rolo de papel… Temos mesmo que começar a tomar consciência de tudo! Já há alguns anos que uso o papel higiénico reciclado do continente, mas confesso que fiquei preocupada com a informação que dás que muitos destes papéis contêm químicos! Como achas que poderei ter a informação se este papel contém ou não esses químicos? Acho que vou ter que começar a pensar noutras alternativas… Obrigada mais uma vez! 😊

    Responder
    • 05/08/2019 ás 12:38

      Olá Margarida 🙂 Na realidade, não há como ter a certeza. A questão é que o papel utilizado para fazer o reciclado pode conter algumas substâncias tóxicas. O papel de jornal, por exemplo, é muito facilmente reciclável, mas a tinta usada é de chumbo. Se este papel for utilizado na reciclagem para produzir papel higiénico, ainda que existam muitas lavagens e seja tudo bastante controlado, é sempre terreno “escorregadio”. Acho que temos de confiar que os produtos que estão no mercado como seguros são de confiança. No caso do papel higiénico, sendo que vai a zonas tão delicadas… bom, prefiro não arriscar! Quem me alertou para isto foi a minha sogra, que é investigadora química. Confio muito no que ela sabe sobre estes temas, daí estar a evitar este tipo de papel. O melhor será mesmo usar água 🙂

      Responder
  • yara Duarte
    04/08/2019 ás 22:01

    ola, excelente artigo e muito útil. obrigada

    Responder
  • Ricardo Pereira (@apequenagrandecasa)
    25/08/2019 ás 07:23

    Olá Catarina. Muito obrigado pelo teu artigo e todo o trabalho maravilhoso que fazes. Aqui em casa usamos uma sanita seca e como apenas temos água da chuva tentamos usar o mínimo possível. Também não temos bidé, e seria complicado ter porque iria contaminar as águas cinzentas. No nosso caso, usamos o papel higiénico reciclado. Talvez a nossa melhor alternativa seriam os paninhos. A minha mãe conta q a avó dela passava tarde de domingo a recortar folhas de jornal que depois colocava na casa de banho exterior para se usar durante a semana. Devia arranhar um bocadinho, mas os nossos bisavós seriam definitivamente mais ecológicos que nós.

    Responder
    • 27/08/2019 ás 12:49

      Olá Ricardo!
      Que feedback tão interessante! Claro, usar papel reciclado já é um excelente passo (e parece-me mais higiénico que usar o de jornal, uma vez que os jornais usam tinta de chumbo). Talvez os paninhos fosse a melhor opção no vosso caso, sim, mas utilizar papel higiénico também é um upgrade enorme em relação ao que o “comum mortal” costuma fazer. Parabéns!

      Responder
  • 30/08/2019 ás 16:25

    […] O consumo de papel (troquem os rolos de papel de cozinha por paninhos feitos de roupa/lençóis/turcos velhos, por exemplo; reduzam o consumo de papel higiénico, utilizando o bidé…); […]

    Responder
  • Inês
    30/08/2019 ás 22:08

    Olá Catarina! Obrigada por mais um excelente artigo e pelo trabalho maravilhoso que fazes Nunca me tinha questionado sequer sobre as alternativas ao papel higiénico! Uma dúvida muito prática: na utilização do bidé usas “apenas” água certo? Ou usas algum produto adicional? Deve ser uma pergunta um bocado parva mas quase nunca usei um bidé, ahah.

    Responder
    • 02/09/2019 ás 08:50

      Olá Inês 🙂 Obrigada pela pergunta, de facto não falei do assunto no post e pode gerar dúvida! Uso apenas água, sim. A minha ginecologista não recomenda o uso de sabonetes íntimos para uso diário.
      Beijinhos!

      Responder
  • Sara
    22/09/2019 ás 09:36

    Olá Catarina! Tenho muito interesse no tema, mas muito pouco tempo e estou sempre à procura de bons compromissos sustentáveis, mas que não transformem o dia a dia num caos. No tema papel higiénico ou substitutos, compro sempre papel reciclado, mas nenhuma das outras alternativas me parece viável: só lavo roupa uma vez por semana, ter paninhos transformar-se-ia numa grande falta de higiene e proliferação de bactérias e as soluções de papel feito de Bambu que apresentas têm os problemas que qualquer sobre-exploração tem. É mais ou menos como a greve dos transportadores de combustíveis: se todos formos abastecer mais do que o normal ou à aldeia vizinha, o consumo de recursos é maior do que o normal e altera o ecossistema. O bidé não é prático e ocupa espaço, além disso, o dia a dia faz com que só utilize a casa de banho em casa duas vezes por dia. As soluções deveriam, em alternativa, ser inspiradas nos japoneses: papel higiénico ecológico (com baixa pegada ecológica) em quase todo o lado, preparado para ser eliminado no tratamento das águas, e sanitas com bidé incorporado (já é possível encontrar em Portugal). Assim, sim, conseguimos não comprometer tempo e saúde pública, enquanto mantemos a praticicidade que precisamos para o dia a dia. Eu compreendo que uses as típicas métricas ambientais para a tua argumentação, mas há tanto mais a considerar no contexto da sociedade atual e do país onde vivemos, que precisamos de mais. Obrigada pela partilha e continuação de bom trabalho! Beijinhos

    Responder
    • 23/09/2019 ás 09:46

      Olá Sara, obrigada pelo feedback 🙂
      Não sei se tiveste oportunidade de ler o post até ao fim, mas falo precisamente de papel reciclado e de bidés incorporados (como o tushy). Não julgo ninguém pelas escolhas que faz e sou sempre a primeira a dizer que cada um tem de fazer o que for prático para a sua vida. No entanto, aquilo que tento sempre fazer por aqui é… apresentar factos e explicar o que eu faço em casa. Os factos são o que são (não os posso mudar), mas o que eu faço em casa é apenas um exemplo, que sei que pode ser útil para algumas pessoas. Nós não tínhamos bidé convencional na casa antiga, tínhamos chuveirinho (não ocupa espaço nenhum e pode ser instalado na sanita e tudo).
      Em relação aos paninhos, a urina é estéril, pelo que não teria mal lavar uma vez por semana (em termos de saúde, não pública, mas privada, porque estamos sempre a falar de soluções para adotar em casa). Ainda assim, cada um sabe qual o método melhor para si. Só queria passar a informação acerca do peso do papel higiénico. E sim, toda a razão em relação ao bambu (aliás, também falo nisso mesmo e na questão das florestas serem certificadas e da melhor opção não ser o bambu, mas sim palha de trigo).
      Agradeço mesmo muito o feedback e espero que não leves a mal a resposta, mas percebi que não terias lido o artigo todo (compreensível, era enorme e sou uma chata a escrever haha), pelo que achei importante clarificar o que escreveste porque, como vês, concordo contigo e deixei tudo o que referiste escrito no artigo.
      Um beijinho!

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