04/07/2019

Os usos do café

Decidimos comprar uma máquina de café que mói grão. E, sem querer, descobrimos novos benefícios para as borras!

Mudámos de máquina de café recentemente. Tínhamos uma Dolce Gusto, na qual utilizávamos uma cápsula reutilizável da Waycap, mas andámos demasiado tempo às turras com a cápsula e o João nunca conseguiu encontrar o granulado/quantidade ideal para funcionar devidamente: o café ficava sempre muito líquido. Sei de quem conseguiu acertar e sei que a cápsula da Waycap para a Nespresso é bastante melhor, mas sendo o João um consumidor ávido de café (ele acha que Nespresso não é café, por exemplo… mania de quem fez cursos específicos sobre café e de quem leva muito a sério as arábicas e robustas desta vida), precisámos de encontrar uma solução que não o fizesse refilar todos os dias. Foi fácil: voltámos às máquinas de grão. Compramos o grão que queremos na Pérola do Chaimite, no Saldanha (levamos os recipientes e eles enchem), despejamos no compartimento da máquina destinado aos grãos e a máquina mói e faz o café automaticamente. Quando acaba, despeja as borras também automaticamente no compartimento lateral (e eu tiro as borras para fazer esfoliante e adubo! – já explico melhor). É ainda mais simples do que fazer café de cápsulas e sai mais barato! É que o café em grão comprado a granel, ainda que seja de (muito) melhor qualidade que o das cápsulas, acaba por sair mais barato, sabe-se lá porquê! Os nossos cafés em casa saem a menos de 0,10€/cada.

Tudo isto para dizer que agora uso as borras do café! Portanto a mudança para uma máquina automática não foi só boa para o João, que passou a beber café melhor. É que o café que ficava nas cápsulas estava sempre muito molhado (escorria água) e saía com um cheiro muito característico, pelo que não me atrevia a usar. Estas borras agora saem muito soltinhas e com aquele cheiro maravilhoso a café acabado de fazer (e eu nem gosto de café!). Tenho dois usos para as borras, como referi acima: esfoliante e adubo. Abaixo deixo como utilizo para cada caso.

Adubo: espalhar pouca quantidade em redor das plantas (orquídeas e Citrina) e muito ao de leve por cima da terra do Noocity. Atenção: o nitrogénio e a acidez presentes nas borras são boas para as plantas, mas a cafeína não necessariamente. Se colocarem borras a mais, todas juntas, compactam e impedem a penetração correta da água.

Esfoliante: por ser rico em antioxidantes que combatem o envelhecimento e promovem a firmeza da pele e ativação da circulação, o café dá um excelente esfoliante corporal! Tenho duas receitas diferentes, ambas adaptação das receitas que recebi no workshop de Cosmética Natural da Tutisfore, com ingredientes que fazem mais sentido para a minha pele. Deixo-vos abaixo:

Para o rosto: como tenho a pele muito sensível, com tendência acneica, não posso utilizar óleo de coco (é demasiado comedogénico para a minha pele). Assim, uso uma receita com óleo de jojoba (menos comedogénico – ainda assim, tenho de experimentar o de Rosa Mosqueta ou de Argão, que dizem ser melhor para pele acneica): 1/4 chávena (de chá) de borras de café, 1 colher de sobremesa de óleo de jojoba e 1 colher de chá de bicarbonato de sódio. A receita não é do workshop, foi uma adaptação que eu fiz para a minha pele. O bicarbonato de sódio ajuda porque é antibacteriano, antifúngico e antissético (aspetos muito importantes para uma pele que, como a minha, inflama à mais pequena borbulha!). Depois de exfoliar bem o rosto, costumo deixar uma “papa” na zona das olheiras durante uns minutos, porque o café também é conhecido por atenuar olheiras. Não tenho muitas olheiras portanto não posso garantir que funcione para toda a gente, mas gosto do “boost” que dá a esta zona da pele, que sendo tão fininha e sensível, reage muito bem a esta “pasta”.

Para o corpo: no corpo já não tenho a mesma tendência a inflamações que no rosto (ainda assim, tenho alguma – furúnculos são “amigos” recorrentes no meu corpo… e não são nada simpáticos). Por isso, estou mais à vontade com os óleos que coloco. Ainda assim, não adoro o óleo de coco. Sou fã incondicional do azeite para o corpo e uso desde muito novinha azeite para os pés (depois coloco umas meias e deixo atuar a noite toda). A receita que uso para o corpo é: 1/2 de chávena de borras de café e 1/4 de chávena de azeite. Fica um pouco mais “líquido” do que o de rosto, mas gosto muito porque sou preguiçosa e assim faço esfoliante e hidratante 2-em-1. Fico uns 10 minutos de volta da massagem com a mistura e depois salto para o banho e saem as borras e o azeite. A pele fica muito muito suave. Já experimentei com óleo de amêndoas doces, mas sai mais caro e, honestamente, não acho que a pele fique tão nutrida – é que o efeito do azeite continua a sentir-se depois do banho, o do óleo de amêndoas doces já não acho que se sinta tanto. Com óleo de argão deve ficar maravilhoso, mas vou à falência. Talvez experimente com óleo de grainha de uva, que me tem sido aplicado nas massagens que ando a fazer na Essence e que tem tido óptimos resultados.

Ainda assim, o melhor uso para as borras de café é um que ainda não experimentei: compostagem! É um dos meus grandes desafios pessoais, começar a compostar, mas vermicompostagem não é uma opção cá para casa (desmaio se vir um rastejante…) e não temos um jardim onde colocar um compostor. No entanto, uma vez que, no workshop que tive de compostagem da Tutisfore, foi referido que o café é excelente para acelerar a compostagem (cuidado só se fizerem vermicompostagem, porque as minhocas ficam todas malucas e começam a reproduzir-se exponencialmente), achei que vos deveria sugerir este uso também.

2 comentários em "Os usos do café"

  • Carolina Soares
    23/08/2019 ás 23:13

    Olá boa noite, gostaria de saber, se possível, qual é a máquina de café ? Obrigada

    Responder
    • 27/08/2019 ás 12:48

      Olá Carolina 🙂 É uma krups Automática Arabica (no site da marca tem a referência EA817810).

      Responder

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